Queda de cabelo

Os cabelos têm um ciclo natural, composto por três fases distintas:
1) Anágena, ou fase de crescimento, que dura de 2 a 3 anos, no sexo masculino, e 6 a 8 anos no sexo feminino.
2) Catágena, quando a matriz do pêlo começa a regredir e dura cerca de 3 semanas.
3) Telógena, ou de repouso, quando acontece a queda final, natural do pêlo, que cai com a queratina (aquela parte esbranquiçada que sai com os cabelos), e vem um novo pêlo anágeno logo em seguida. Este é o pêlo que cai todos os dias, independente se escovou mais ou menos (dentro de uma escovação normal, sem exageros ou tração excessiva), ou se lavou ou não os cabelos. Ele vai cair mais cedo ou mais tarde de qualquer maneira.

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O couro cabeludo tem cerca de 100.000 a 150.000 cabelos. O crescimento é de, em média, 1 cm por mês e caem , por dia, 50 a 100 fios, normalmente. Obviamente os cabelos lisos “parecem” crescer mais, pois o crescimento é mais “visível” do que nos cabelos crespos.
Ainda existe o fator genético que influi no comprimento do fio de cabelo. Muitas pessoas têm um crescimento limitado até os ombros, por exemplo.

Queda de cabelos para os médicos tem o nome de alopecia e pode ser classificada em localizada (quando atinge uma área restrita) ou difusa (quando os cabelos caem em todo couro cabeludo) e também pode ser cicatricial (quando deixa uma cicatriz no local afetado) e não – cicatricial.

» Alopecias difusas não-cicatriciais: eflúvio telógeno (pós-parto, pós-cirurgia, pós-febre; depois será comentado, pois é a uma das formas mais comuns de queda de cabelos), doenças endócrinas (hipotireoidismo, hipertireoidismo, diabetes descompensado), doenças metabólicas e nutricionais (desnutrição, deficiência de ferro, zinco), doenças do colágeno (lupus, dermatomiosite), medicamentos (vitamina A em excesso, retinóides via oral, lítio, etc), dentre outras causas.
» Alopecias difusas cicatriciais: radioterapia no couro cabeludo, queimaduras.
» Alopecias localizadas não-cicatriciais: androgenética, areata,trauma (de tração) etc.
» Alopecias localizadas cicatriciais: micose e infecções localizadas do couro cabeludo, câncer etc.

Dentre estes tipos de queda-de-cabelos, as mais comuns no consultório médico são: areata, androgenética e o eflúvio telógeno que vou explicar mais detalhadamente.

Alopecia areata é uma perda rápida de pêlos, deixando a região lisa e brilhante, completamente desprovida destes. Pode surgir na barba, couro cabeludo e sobrancelhas. É vulgarmente conhecida como “pelada”. Algumas vezes há cura até mesmo sem tratamento. Quando evolui para todo o couro cabeludo é chamada de alopecia total do couro cabeludo e quando atinge todo o corpo, é chamada alopecia areata universal. Os pêlos que vão nascendo no local afetado podem ser brancos, sem pigmento. A sua causa ainda é desconhecida, mas sabemos que fatores genéticos, auto-imunes (o organismo reagindo contra ele mesmo) e o estresse emocional têm importância. Sempre devem ser pesquisadas outras doenças auto-imunes, como vitiligo, anemia perniciosa, doença de Hashimoto que também são auto-imunes e podem estar associadas. O tratamento pode ser feito com agentes que irritam o local, estimulando o crescimento do pêlo; com imunossupressores, como corticóides tópicos, intra-lesional (injetáveis no local) ou oral, PUVA (psoralênico oral com radiação ultra-violeta), UVB narrow-band ( ultravioleta B localizado) e até mesmo ciclosporina oral (imunosupressor usado em transplantados renais).; imunoestimuladores aplicados topicamente; minoxidil tópico a 5%, de mecanismo desconhecido no tratamento da alopecia areata, mas tem ação vasodilatadora local.

Alopecia androgenética tem este nome pelo seu caráter genético e hormonal (androgênico). Atinge tanto homens como mulheres e é responsável pela calvície nos homens e pela perda de cabelos progressiva em algumas mulheres na região do alto da cabeça (vertéx), principalmente após a menopausa. Nos homens, pode se iniciar na puberdade, bastante precocemente, já que há uma influência hormonal, mas o normal é o início dos 20 aos 30 anos. Os pêlos vão ficando cada vez mais finos, havendo atrofia dos mesmos até o seu total desaparecimento, tornando o processo irreversível (daí somente implante capilar pode resolver). A queda começa pelas entradas e/ou no vértex (alto da cabeça, dando aspecto de “frei”). Em alguns indivíduos, essas duas áreas se juntam, fazendo a calvície total, deixando apenas uma faixa que vai da orelha até a nuca. Já a mulher jamais fica completamente calva e o início pode ser como uma queda –de – cabelos difusa, podendo atingir mais localizadamente o vétex e as entradas. Os cabelos vão se tornando mais finos e com menos volume, além de perderem o brilho. Quando o início na mulher ocorre antes da menopausa, é importante a pesquisa de alterações hormonais, e notar outras manifestações concomitantes, como acne, aumento de pêlos na face, seborréia, obesidade,alterações menstruais. O tratamento pode ser feito nos homens com finasterida , via oral, 1mg por dia, que é um inibidor da enzima 5-alfa redutase, solução de minoxidil 5% 1 ml 2 vezes ao dia, topicamente (mecanismo de ação desconhecido, porém excelente vasodilador e é a droga usada há mais tempo para o seu tratamento nos homens) e , mais recentemente, do 17 alfa-estradiol em solução capilar, que também é um inibidor da 5 – alfa redutase e acelerador da proliferação das células da matriz capilar. Nas mulheres, inicialmente deve haver comprovação se há influência hormonal, como síndrome dos ovários policísticos ou SAHA (seborréia, acne, hirsutimo e alopecia). O tratamento é basicamente anti-hormônios masculinos (portanto não podem ser usados neles), com acetato de ciproterona, espironolactona e metiformina, todos via oral. Para uso tópico, pode-se usar minoxidil a 2 % e 17-alfa estradiol. O tratamento deve ser contínuo e com acompanhamento médico, pois somente a engenharia genética pode solucionar de vez este problema.

O eflúvio telógeno é a queda difusa mais comum de cabelos, principalmente nas mulheres, e ocorre 2 a 4 meses após parto, cirurgias, suspensão do uso de anticoncepcional, anemia, hemorragia, infecção, medicamentos ( lítio, heparina etc), além de outras causas. Ocorre quando um estímulo acelera o ciclo do pêlo, fazendo com que ele passe precocemente para a fase telógena (de queda), daí o seu nome. Muitas vezes não é necessário exame de sangue do paciente para descobrir a causa. Apenas uma conversa detalhada pode ser suficiente. A regressão do quadro é espontânea, mas algumas vezes o uso de vitaminas via oral pode ajudar.

A alopecia localizada por tração acontece principalmente naquelas que usam alisantes como henê, por anos e ficam com toda a área ao redor do couro cabeludo rarefeita. Escovas constantes, rabo-de-cavalo e coques muito apertados, rolos puxando demais os cabelos também podem provocar este tipo de queda. Nestes casos, a primeira coisa a ser feita é parar de fazer tração nos pêlos.

Nos casos de dúvida do diagnóstico do tipo de queda-de-cabelo, o que não é freqüente, pode –se fazer uma biópsia do couro cabeludo (retirada de um pequenino pedaço de pele para exame ao microscópio). Exames de sangue para pesquisa de alterações hormonais, anemia e outras doenças sistêmicas podem ser de muito valor nos casos mais difíceis e crônicos (queda há mais de 6 meses).
Sempre consulte o dermatologista e nunca tome remédios por conta própria. Até o uso indevido de vitamina A pode piorar a queda de cabelos. Cuidado também com os produtos químicos que causam não uma queda de cabelos verdadeira, da “raiz”, mas sim uma quebra dos fios, tornando-os fracos e quebradiços. Sempre informe ao seu cabeleireiro os últimos tratamentos químicos feitos para não acontecer o pior.