Vitiligo

O vitiligo é uma doença da pele caracterizada pela perda de pigmentação, levando à formação de manchas completamente brancas, geralmente simétricas e bilaterais (por exemplo, se o paciente tem num cotovelo, também deve ter no outro). Pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais freqüente o início da doença entre os 10 e 30 anos. Não tem preferência por sexo ou raça e acomete 1% da população. Existe geralmente uma história na família de alguém com vitiligo.

Trabalhei durante 1 ano no Ambulatório de PUVA (Psoralênico + Ultra-violeta A), que é uma das opções de tratamento, no setor de Dermatologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto e percebi a angústia e o sofrimento dos pacientes. Apesar de ser uma doença aparentemente benigna, na maioria dos casos sem maiores complicações, causa um impacto psicossocial muito importante.

vitiligoEmbora não traga nenhum risco para a vida do paciente, é sempre importante pesquisar a possível presença de outras doenças que também tem origem auto-imune. A diabetes tipo 1 (que acontece desde a infância), tireoidite de Hashimoto (geralmente hipotireoismo), Doença de Graves (hipertireoismo ou tireoíde com aumento da função), anemia perniciosa (identificada com um simples exame de sangue) e mesmo melanoma.

Em qualquer raça, o que difere cada indivíduo pela sua cor é a quantidade de melanina (pigmento da pele) existente na nossa epiderme. Nesta doença ocorre diminuição ou ausência em certas áreas do corpo dos melanócitos, que são as células produtoras da melanina. Sua causa real é desconhecida, mas existem 3 teorias: Neurogênica , onde a mancha se concentra na projeção de um nervo importante, já que os melanócitos têm a mesma origem embrionária que os nervos; na teoria Auto-imune, haveria destruição dos melanócitos por mecanismo auto-rejeição; também a teoria da autodestruição, onde os melanócitos são destruídos por substâncias químicas (ex: aumento do cálcio no sangue) ou pelo aumento da atividade dos melanócitos.

O Dermatologista facilmente diagnostica a doença no exame físico. Caracteristicamente são manchas mais claras que o restante da pele, sendo que nas lesões mais recentes as bordas podem ser avermelhadas. Raramente necessita-se uma biópsia de pele para concluir o diagnóstico, mas pode ser realizada nos casos em que há dúvida do médico ou haja muita ansiedade por parte do paciente. A biópsia é realizada retirando-se um pequeno fragmento de pele com anestesia local.

As manchas aparecem mais freqüentemente nas proeminências ósseas, como nos cotovelos, joelhos e tornozelos. Também podem atingir a face, mãos e genitália. Pequenos traumas podem fazer surgir lesões onde não havia antes (conhecido como Fenômeno de Koebner), como arranhões, ferimentos. A repigmentação (volta da cor normal) se dá pela migração de melanina para a pele através dos folículos pilosos (raízes dos pêlos). Assim ilhas com manchas mais escuras podem aparecer no centro das áreas tratadas. Por esta razão o tratamento pode ser bem mais lento em áreas em que os pêlos estão brancos.

Tratamentos

Existem muitas opções de tratamento e devemos optar por aquela que será mais adequada ao paciente, levando-se em consideração, inclusive, o estilo de vida do indivíduo.

Tratamento Cosmético

Consiste na camuflagem das manchas de 3 maneiras : através de maquiagem corretiva (hoje existem cursos especializados em vitiligo), corantes tópicos e autobronzeadores.

PUVA

Quando as lesões acometem mais de 20% da área corporal, vale a pena a PUVA-terapia, que consiste em tomar uma medicação (psoxoralênico) que torna a pele mais sensível ao ultravioleta-A, 1 a 2 horas antes da exposição em uma cabine de lâmpadas de ultravioleta-A. Devem ser feitos exames de sangue, além dos usuais para diabetes, anemia, tireóide, função hepática e exame oftalmológico. O objetivo é tornar as manchas brancas em vermelhas, sem fazer bolhas, para que elas “reajam” e voltem a pigmentar. É muito importante proteger a genitália e os olhos com protetores especiais e aplicar filtro solar na pele normal, mesmo depois da sessão. É obrigatório o uso de óculos escuros para ir á rua. É importante o monitoramento do tempo de exposição e do número de sessões. Existe um limite para evitar o risco de câncer da pele. É contra-indicado em mulheres grávidas, amamentando. Crianças têm medo de entrar na cabine, mas nada que uma boa história de que aquilo é uma nave espacial para aceitarem o tratamento. O PUVASOL é uma opção para aqueles que não podem pagar pelo tratamento em cabine, porém o paciente deve ser muito disciplinado para não se expor mais do que recomendado.

UVB Banda Estreita (UVB“narrow-band”)

A vantagem é que se irradia somente a área afetada , sem precisar tomar remédio. O tratamento deve ser feito 2 vezes por semana, em média.

Corticóides tópico e sistêmico

Quando as lesões são bem localizadas, a primeira opção é um tratamento simples e barato à base de cremes de corticóide, com a potência e o tempo de aplicação variando de acordo com o local. O corticóide de uso sistêmico (comprimidos) deve ser utilizado em lesões que vêm se disseminando rapidamente.

Imunomoduladores

O tacrolimus (importado) ou pimecrolimus (nacional) agem melhorando a resposta imunológica do paciente.

Cirurgia

Recomenda-se o tratamento cirúrgico para lesões estáveis há anos. Existe o transplante epidérmico que é realizado através de bolhas formadas por sucção. O topo da bolha é removido das áreas doadoras e receptoras, e a epiderme (camada mais superficial da pele) doadora é colocada na pele afetada, já desnuda. O mini-enxerto autólogo consiste em pequenos fragmentos de pele de áreas como sulco das nádegas, que além de serem ricos em melanócitos, não fica em região discreta. Coloca-se então este pedacinho de pele na área com vitiligo.

Monobenzyl Éter de Hidroquinona

Em último caso, quando o vitiligo já atingiu praticamente todo o corpo, pode-se optar por tirar o pigmento do que sobrou de pele normal.

Tratamentos mais recentes

Existem estudos mostrando que o extrato de Polypodium leuctomus associado ao UV Narrow band pode ser uma alternativa terapêutica. O excimer laser também tem sido bastante investigado e parece ter melhores resultados em face e tronco e piores resultados nas mãos e pés. As sessões são 3 vezes por semana, numa média de 11 sessões.